Ser sozinho não é o problema. Mesmo que você me explique por horas a diferença entre ser e estar. Estar também não é o problema. Veja, eu tenho séries para atualizar, filmes que quero ver, lugares para passear. Meu problema não é sentar em uma praça de alimentação sozinho. O problema é o que eu vou fazer com isso. Eu posso fazer um texto. Eu posso levar para a terapia. Eu posso chorar ouvindo música ou fingir que estou só esperando alguém. Ou eu posso simplesmente comer e encarar isso como uma situação normal que é: eu, como ser que nasceu e logo foi cortado meu cordão umbilical, e logo foi ensinado a andar e existir nesse mundo, eu posso e consigo.
Por mais que as construções sociais me ensinem o contrário. Por mais que socialmente pareça mais aceitável ter duas cadeiras postas em uma mesa. Por mais que as séries que eu queira ver enfatizem tanto os casais e suas cumplicidades. E os filmes com todos os seus romantismos – até no gênero de terror, DEUS. Por mais que na praça de alimentação pareça que todos estão comentando sobre “aquele ali sentado sozinho”. Ninguém está.
Ser sozinho não é o problema. Para mim o mais difícil é ter conhecido o melhor de estar com alguém e agora ter que reformular as antigas vivências. Foi você ter me apresentado um novo cenário e – por única e exclusiva responsabilidade minha – eu ter achado que ali era um lugar bom para morar. Foi ter saboreado o gosto, sentido na pele, experimentado as sensações, e agora ter que desacostumar meu corpo para o modo antigo. Como se eu desconectasse cada conexão que eu criei após você. E não que sejam ruins as lembranças, veja, eu agradeço por todas elas. Mas eu preciso recomeçar do ponto em que você me deixou e eu agora continuo como sempre fui. É preciso continuar mesmo que sozinho. Mesmo em pedaços. Mesmo sem forças. A gente desaprende a andar quando alguém nos solta a mão. Mas logo você vai me ver por ai sorrindo.
Até breve.
#textoscrueisdemais
Nota: 75/100;
OpinionB: tenho esse texto salvo há 5 anos no meu app de notas. e ainda me mexe, ainda me toca. e como o próprio nome da página diz, são cruéis demais para serem lidos rapidamente. eu lembro quando eu encontrei essa página no facebook, o quanto eu me senti representada. apenas pelo título já criei um afinidade, porque realmente nesse mundo em que vivemos, as redes sociais e tudo no geral é consumido de forma muito rápida. é tudo muito acelerado, fazemos muitas coisas ao mesmo tempo sem nos dedicar 100% a nenhuma delas.
mas sobre esse texto especificadamente, me identifiquei logo que li, é incrível o quanto ainda faz sentido para mim. porque é sobre isso, ser sozinho não é o problema. mas o que acontece quando você, que não tinha problema em estar sozinho antes, conhece uma pessoa incrível, mas depois cada um segue seu caminho separadamente. como você, que agora sabe como é estar com alguém, que provou da fruta proibida, provou do amor, como você vai voltar ao que era antes? como vai se contentar apenas como você mesmo de novo?
esse texto é sobre isso. mesmo depois de um relacionamento marcante acabar, temos que nos reencontrar com nós mesmos. temos que aprender a ser inteiro sozinho novamente. porque essa é única certeza da vida, não é? a única pessoa com quem podemos contar de certeza no final das contas é o próprio eu. é uma conclusão triste e solitária, mas é a verdade. e quanto mais rápidos aprendermos isso, melhor.
Autor: Igor Pires, da página "texto cruéis demais para serem lidos rapidamente";
Mais sobre o autor:
Igor Pires é paulista, formado em Publicidade, estudante de Jornalismo e criador da Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente. Leonino, apaixonado pela vida e por escrever, Igor encontrou refúgio nas palavras logo na adolescência, transformando cada uma em caminho, emoção ou simplesmente ar para respirar.¹
Publicação: 23 de fevereiro de 2017, no facebook;²
Redes sociais:
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Fontes:

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